terça-feira, 16 de dezembro de 2008

COMO EU NASCI:



Era Domingo de tarde, pelas 16:00 horas e reinava o frio do Inverno.

Fui o último de 11 irmãos a nascer.

Nasci em casa, no leito dos meus pais, onde a água canalizada corria continuamente da nascente, lá do alto do monte e era transportada em tubos de barro. Não havia electricidade nem grande conforto era uma casa grande e muito velhinha, construída de grandes pedras e onde o frio teimava em entrar pelas arestas que mal fechadas entre o telhado e as paredes lhe facilitavam a passagem “Casa da Quinta da Ribeira.”


Foi um parto difícil, segundo me contou a minha mãe e os meus irmãos mais velhos, como já era de costume minha mãe trabalhava no campo, tratando as suas culturas agrícolas, até sentir as dores finais para dar a luz.


Assistido por uma senhora de nome Amélia que morava na minha Freguesia “Freguesia de Caires” e era conhecida como uma pessoa de confiança para este serviço de “Maternidade Caseira” (Parteira).


Como surgiu o meu nome:


O meu nome podia ter sido Sebastião!

Era a vontade do meu Padrinho, não era por acaso pois também ele tinha no seu proprio nome Sebastião.

Um vizinho amigo da família, um homem já de certa idade chamava-se António, mais conhecido por “Antoninho das Penas” alcunha que lhe terá ficado por residir no lugar das “Penas”.


Mas a minha mãe segundo me contava, sem afirmar o porquê, simplesmente não gostava do nome.


Penso eu, que acharia ser um nome com motivos de chacota, pois nessa época era muito conhecida a história do “Sebastião come tudo sem colher”, e não hesitou em contestar essa possibilidade dizendo que não gostava do nome, que o meu nome seria: Manuel!



Eu chamo-me: Manuel de Jesus Pinto Fernandes


Hoje descobri que desde muito pequenino foi “obrigado” a sentir o sabor da partilha, pois reconheço que partilhei o meu espaço e até mesmo os carinhos maternais muito cedo, tinha eu apenas sete meses de idade.
Aqui encontro uma ponte de ligação entre meu passado e meu presente, ao sentir necessidade de envolvência na sociedade em busca da defesa dos mais desprotegidos e carenciados, nomeadamente as crianças e trabalhar por uma sociedade mais aberta, onde se possam desenvolver as oportunidades para todos. Acima de tudo porque sei que vivemos numa sociedade onde reinam as injustiças e as desigualdades proponho-me a trabalhar em prol duma sociedade mais justa e parental.

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