HISTÓRIA DE VIDA

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

POEMA SENTIDO, CONSENTIDO




Eterna saudade

Pai, tu partiste…
Quando partiste, eu mal te conhecia
A nostalgia desse tempo passado
Ainda agora não dissolvi
Naquele dia, antes do teu ultimo suspiro
Tu me chamaste junto de ti
Estavas enfermo, imóvel naquela cama…
Eu não te compreendi!
Mas percebi que era o teu menino
Sabes, eu tive muito medo…
Pai tu partiste…
Hoje descobri, nas entranhas do pensamento
O pensamento não é novo
É velho, por isso sempre está lá
O medo que eu senti, não era de ti
Era da morte que naquele momento
Já se havia aproximado demasiado de ti
Pai tu partiste…
Agora pergunto à Lua em tom confidente
Que nesta noite esta bem junto ao poente
Ela sussurra-me baixinho…
Pergunta ao sol amanhã bem cedinho
Na manhã seguinte, lá esperei o Sol chegar
O sol nada me disse!
Tentei olha-lo de frente, como só a Águia sabe fazer
Ele não me permitiu…
Fechei os olhos e deixei-o surpreender-me
Várias imagens, ele me revelou
Uma era divina, a outra eras tu conceptualmente
Ó Sol e Lua que me iluminais o pensamento
Um de dia o outro de noite, sempre…
No brilho da vossa luz dissipo a minha nostalgia
Pai tu partiste…
Pai, agora tu és luz, seja noite, ou seja dia
Pai, tu deixaste um desmedido vazio
Que se enche de luz a cada dia
Pai, se esse vazio não existisse
Essa luz, onde colocar eu não teria
Sabes, agora também sou pai
Sinto na primeira pessoa a essência do ser
Todo o pai quer o bem do seu filho
É essa a grande memória que guardo de ti
Pai tu partiste…
Eu estou aqui…
Bem no alto do monte, olhando o horizonte
Vejo a beleza do mar, espelhada pelo sol
Trazer-me à memória “imagens” de um pai envolto em glória
Pai tu partiste…
Eu estou aqui, curando as fragilidades
Que me ficaram de ti
Pai, tu partiste para o além…
Pai, eu estou aqui…

Autor: Manuel Fernandes
03-09-2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A VIDA FAZ HISTÓRIA!

16 DE MAIO, DIA INTERNACIONAL DAS HISTÓRIAS DE VIDA

Afinal já alguém se lembrou da importânçia das histórias de vida.
Eu apoio ésta iniciativa, penso que contribui para o progresso da sociedade.

Como surgiu este evento:
http://www.ausculti.org/images/releaseportugues.pdf

Descobri que esta iniciativa deu os seus primeiros frutos no dia 16 de maio de 2008, quando cerca de 100 organizações, presentes em 30 países, incluindo Portugal, organizaram vários eventos para celebrar o 1º Dia Internacional de "Histórias de Vida".

Que pode ser consultado no site, aqui: http://ausculti.org/portugues.html

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

COMO EU NASCI:



Era Domingo de tarde, pelas 16:00 horas e reinava o frio do Inverno.

Fui o último de 11 irmãos a nascer.

Nasci em casa, no leito dos meus pais, onde a água canalizada corria continuamente da nascente, lá do alto do monte e era transportada em tubos de barro. Não havia electricidade nem grande conforto era uma casa grande e muito velhinha, construída de grandes pedras e onde o frio teimava em entrar pelas arestas que mal fechadas entre o telhado e as paredes lhe facilitavam a passagem “Casa da Quinta da Ribeira.”


Foi um parto difícil, segundo me contou a minha mãe e os meus irmãos mais velhos, como já era de costume minha mãe trabalhava no campo, tratando as suas culturas agrícolas, até sentir as dores finais para dar a luz.


Assistido por uma senhora de nome Amélia que morava na minha Freguesia “Freguesia de Caires” e era conhecida como uma pessoa de confiança para este serviço de “Maternidade Caseira” (Parteira).


Como surgiu o meu nome:


O meu nome podia ter sido Sebastião!

Era a vontade do meu Padrinho, não era por acaso pois também ele tinha no seu proprio nome Sebastião.

Um vizinho amigo da família, um homem já de certa idade chamava-se António, mais conhecido por “Antoninho das Penas” alcunha que lhe terá ficado por residir no lugar das “Penas”.


Mas a minha mãe segundo me contava, sem afirmar o porquê, simplesmente não gostava do nome.


Penso eu, que acharia ser um nome com motivos de chacota, pois nessa época era muito conhecida a história do “Sebastião come tudo sem colher”, e não hesitou em contestar essa possibilidade dizendo que não gostava do nome, que o meu nome seria: Manuel!



Eu chamo-me: Manuel de Jesus Pinto Fernandes


Hoje descobri que desde muito pequenino foi “obrigado” a sentir o sabor da partilha, pois reconheço que partilhei o meu espaço e até mesmo os carinhos maternais muito cedo, tinha eu apenas sete meses de idade.
Aqui encontro uma ponte de ligação entre meu passado e meu presente, ao sentir necessidade de envolvência na sociedade em busca da defesa dos mais desprotegidos e carenciados, nomeadamente as crianças e trabalhar por uma sociedade mais aberta, onde se possam desenvolver as oportunidades para todos. Acima de tudo porque sei que vivemos numa sociedade onde reinam as injustiças e as desigualdades proponho-me a trabalhar em prol duma sociedade mais justa e parental.

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